2002 / 2003

 

A VOZ DOS ALUNOS

 

A propósito da realização deste site fez-se um pequeno inquérito aos alunos para saber algumas das suas opiniões. Apresenta-se a seguir um resumo das opiniões manifestadas.

 

 

A escolha do Curso

 

A maioria dos alunos escolheu este curso devido ao seu interesse pela electricidade, o que é natural. Alguns alunos do 10º ano acham que não estavam bem informados sobre o Curso. Foi esta uma das razões que levou à criação deste site, disponibilizando informação que permita uma escolha mais consciente do Curso.

 

 

A falta das raparigas

 

Quando se pergunta “Que deveria o Curso ter e não tem ?” alguns alunos referem a falta de raparigas. Apesar de esta lacuna não ter a ver com a estrutura do Curso, a resposta é interessante e também os professores são da mesma opinião, não necessariamente pelos mesmos motivos que os alunos... Na verdade, a falta de apetência das alunas por esta área poderá ter a ver com uma questão cultural da nossa sociedade de que trabalhos eléctricos não são para raparigas ou com o desinteresse natural delas pela electricidade. Mas será que elas têm mesmo consciência daquilo que se faz em electricidade ? Umas terão mas outras certamente que não. Não é de admirar que a maior parte delas não goste de fazer instalações eléctricas com cabos e tubos, mas esta é apenas uma pequena parte da matéria. O Curso permite desvendar os fenómenos eléctricos, a maneira como a electricidade e a electrónica governam a nossa vida e essa descoberta é um aliciante para muita gente. Muitos trabalhos de laboratório e outros são de delicada execução, precisamente a ideia que se tem da natureza da alma feminina. Não é por acaso que em muitas fábricas de electrónica prevalecem as mulheres, em parte pela predisposição para trabalhos minuciosos e delicados. Também em engenharia se pode encontrar um futuro promissor. Uma análise pormenorizada da grande variedade de tarefas neste Curso, teóricas e práticas, permitirá encontrar provavelmente áreas que interessem as raparigas. Mas se, depois de feita esta análise, a conclusão for a contrária, então é aconselhável não escolher este Curso pois, pela sua natureza, só deve ser seguido por pessoas nele interessadas.

 

Quanto ao desencanto dos alunos pela falta das companheiras de carteira o problema não é grave, pelo menos nesta Escola, pois há diversos outros Cursos com muitas raparigas com as quais se podem relacionar.

 

 

As aulas práticas

 

A maioria dos alunos tem preferência pelas aulas práticas, oficinais e laboratoriais. Isso é muito bom, pois é uma parte importante do Curso, mas prática sem base teórica não dá bom resultado. Como numa casa, é preciso primeiro construir os alicerces (teoria) e depois tudo o resto (prática). Se assim não for, é muito provável que a casa acabe por cair.

 

 

As dificuldades

 

A dificuldade mais apontada pelos alunos não é a electricidade em si mas outras disciplinas que não fazem parte da componente técnica. Em primeiro lugar surge a matemática. Não é possível fugir a esta questão. A matemática necessária às disciplinas técnicas não é muito complicada, mas a disciplina de matemática que existe no Curso tem dificultado a vida a alguns alunos. É preciso não esquecer que este Curso dá acesso directo ao Ensino Superior. Também há quem se queixe da física e da filosofia. Há pessoas destas áreas técnicas que encaram disciplinas como a filosofia uma perda de tempo, pois acham-nas abstracções sem interesse prático. Cada um tem o direito de ter as suas opiniões. É bom, no entanto, não esquecer que, mesmo em áreas como a electricidade, há muitas vezes necessidade de ter capacidade de abstracção para imaginar certos conceitos que não são visíveis. Já alguém viu o campo magnético que existe à volta dum íman ou as ondas electromagnéticas que chegam e partem do telemóvel ? Certamente que não, mas elas existem. As disciplinas “abstractas”, além dos assuntos concretos que tratam, ensinam-nos a raciocinar, que é um bem cada vez mais valioso.